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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2006
GERAÇÃO COVARDE
É Verão. O calor aperta. Sem destino definido, vou descendo a rua mais movimentada da cidade. Do bolso das calças, tiro um lenço para limpar o suor que me escorre pela testa. De repente, como que programados pela natureza, os meus olhos fixam um alvo. Um tremor percorre o meu corpo da cabeça aos pés. A minha respiração fica mais intensa. Sinto-me invadido por um enorme desejo de posse. Uma bela figura feminina está a dois passos de mim. Um leve tom moreno, olhos de um verde felino, nariz perfeito, lábios carnudos, seios proporcionais e firmes, aparentando também um certo desejo de entrega.
Aproximo-me um pouco mais, e, com admiração, vejo o fruto de um daqueles raros momentos de inspiração de um artista. Uma linda tela, onde estava inscrito no canto inferior esquerdo, um nome. Vivó.    
Levanto um pouco mais o olhar, e um outro quadro desperta ainda mais a minha atenção. Uma bela serigrafia intitulada “As praias de Istambul” obra do grande pintor flaviense Nadir Afonso.
Grandes artistas, pensei para comigo. Gerações lutadoras e de grandes causas. 
Enquanto me refrescava com uma bebida bem gelada na esplanada do café, através do pensamento, percorri a história das gerações que conheci. A dos meus avós, a dos meus pais, a minha e um pouco da dos meus filhos.
A geração dos meus avós foi uma geração lutadora. Teve uma grande causa. A conquista da liberdade. A luta, a convicção, a persistência e a razão fizeram acontecer o 25 de Abril de 1974. Muitas coisas boas foram conquistadas. Lamentavelmente, esta geração pouco tempo teve para usufruir daquilo que conquistou.
A geração dos meus pais foi de continuidade. Consolidou a liberdade, ajudou a desenvolver o país. A saúde, a educação, a cultura e o desporto, chegaram a lugares até então desconhecidos. Portugal entrou na Comunidade Europeia e cresceu economicamente. Das diversas áreas da economia, surgiram grandes empresas, geradoras de muitos postos de trabalho. No desporto, foi o auge no hóquei em patins, as medalhas nos jogos olímpicos, o futebol atingiu níveis europeus e até o prémio Nobel da literatura foi atribuído a um português.
Na geração actual, que é a minha, o desenvolvimento das tecnologias de informação, abriu novos horizontes e contribuiu para uma maior flexibilização das economias, onde a liberalização, a desregulamentação e a globalização surgem como temas importantes e de grande contributo para o desenvolvimento da economia mundial. Infelizmente, Portugal foi muito penalizado por este ciclo económico. Diversas causas contribuíram para esse facto. É certo que perdemos o controlo de algumas variáveis económicas, mas no essencial, a culpa foi e continua a ser da minha geração. De pessoas que estiveram e estão nos centros de decisão política, económica e social. Foram e são pessoas cuja formação académica se consolidou após o 25 de Abril de 1974, a quem falta ambição para grandes lutas, para a defesa de grandes causas, pouco inovadoras, limitando-se muitas vezes a aplicar as receitas copiadas de livros já gastos, com ingredientes já fora do prazo de validade, pouco humildes, e a quem sobra arrogância e uma certa dose pidesca.
Não temos moral para criticar a deslocalização de algumas multinacionais do nosso país, para espaços mais competitivos, quando já foi feito o mesmo dentro das nossas fronteiras, do interior para o litoral. E o que é mais preocupante, é que áreas até aqui consideradas intocáveis, por estarem ao serviço da população, como hospitais, tribunais e outros serviços públicos já estão como se diz na gíria popular, com um par de patins.   
A nível mundial, a globalização beneficiou sobretudo os países mais desenvolvidos. Em Portugal, a concentração, quem beneficia?
Por tudo isto, eu classifico a geração actual, a que eu pertenço, como a GERAÇÃO COVARDE. Covarde, porque é constituída por dois tipos de pessoas. As que são pagas a peso de ouro para desenvolver o país, criar riqueza e postos de trabalho, mas que são autênticas máquinas trituradoras da economia, destruindo tudo em que tocam, e as outras, as que assistem impávidas e serenas, no seu comodismo, ao desenrolar de todo este processo, como se nada fosse com elas, não se preocupando sequer com o fardo que deixarão para as próximas gerações. Claro que como toda a regra, tem uma excepção. Um ou outro D. Quixote, que trava enormes batalhas contra os moinhos de vento.
Que futuro terá a geração dos nossos filhos? Será que o novo tipo de economia que está a surgir na América Latina, na Índia, na China, no Japão, e que na Europa, a Espanha e a França, estão a começar a implementar, trará algo de novo? Será uma geração lutadora, defensora de grandes causas, empreendedora e arriscada? O futuro o dirá.  
 
 
 
Pedro Osborne
publicado por FlaviusII às 20:59
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